Epitaphion, como o próprio nome indica, é um sítio que reúne mensagens que queremos deixar àqueles que morrem.

Não é um portal para controverter sobre esta ou aquela pessoa que morreu, mas antes para deixar uma história, um poema, um testemunho, um epitáfio, em suma, dedicado a alguém, cuja vida queremos preservar na nossa memória individual e colectiva.

 

De momento, Epitaphion apenas pode receber mensagens em relação a pessoas que desempenharam papéis proeminentes na sociedade, ou que, pelos seus actos e intervenções nas mais diferentes áreas, adquiriram uma dimensão pública.

 

Podemos fazê-lo de uma forma emotiva, racional, ou das duas. Os critérios fundamentais a observar são a elegância e o respeito.

 

Outras normas de publicação das mensagens podem ser vistas em  Critérios de publicação.

 

A sociedade contemporânea do prazer e do consumo fez da morte, como sugerem Philippe Ariès e Joan Didion, um tabu (ou, no extremo oposto, transforma-a em espectáculo efémero e sensacionalista).

 

Ocultamos então a morte, o luto e a dor. Tudo em nome de uma mercantilização da felicidade que procura fazer-nos esquecer a nossa, e a dos outros, contingente condição humana.

 

Como escreveu o poeta John Donne, num famoso poema que deu o título à obra de Hemingway, For Whom the Bell Tolls, o sino dobra por todos os humanos:

“Any man’s death diminishes me

because I am involved in mankind

and therefore never send to know

for whom the bell tolls

it tolls for thee.”

 

Este portal tem exactamente este desígnio: albergar mensagens que dirigimos aos que deixaram de estar connosco. Mensagens escritas, para sermos rigorosos. De início, este portal não aceitará mensagens com imagens. À boa maneira clássica, e contra a sobredimensão tirânica da imagem nos dias de hoje, valorizamos a palavra, a escrita

 

A morte é mesmo isso: o fim da escrita, o fim de uma narrativa; mas também pode ser o início de muitas narrativas contadas por outros, entretecidas com aquela, em particular, que aqui evocamos.

Epitaphion é o sítio do epílogo deste fim de cada um de nós e, ao mesmo tempo, um lugar de resistência ao esquecimento.